O influenciador virtual substitui o influenciador de verdade?

Saiba como esses personagens virtuais têm ganhado espaço no marketing de influência

Você sabe o que é um influenciador virtual? São robôs elaborados por meio de um software 3D e que imitam a forma humana. Esses personagens virtuais podem ser criados por empresas que entendem de inteligência artificial, como também por estúdios de fotografia ou design.

Os influenciadores digitais ganham cada vez mais espaço dentro das estratégias de marketing, mas será que para o público faz diferença se são pessoas de verdade ou personagens inventados?

É o que vamos descobrir ao longo do texto. Mas primeiro, vamos entender mais sobre esse tipo de influenciador.

Influenciador virtual: como surgiram?

Os influenciadores virtuais nasceram da criatividade e tecnologia das empresas que pegaram carona na rentabilidade do marketing de influência. Dessa forma, as marcas passaram a direcionar seus esforços para os influenciadores reais e porque não, os virtuais também.

A Federação Mundial de Anunciantes realizou uma pesquisa, em julho de 2018, que comprovou que 65% dos profissionais de marketing querem aumentar o uso de influenciadores nos próximos 12 meses.

O objetivo desse investimento para 86% dos entrevistados é aumentar o reconhecimento da marca. Mas, para 74% dos profissionais, os influenciadores digitais também são utilizados ​​para atrair novos consumidores.

Por isso, investir nessa estratégia de marketing significa ampliar o time de influenciadores e buscar maior interação com o público. Mas será que influenciadores virtuais conseguem engajar seus seguidores?

Quem são as influenciadoras virtuais mais famosas

No início de 2016, nasceu Miquela Sousa: uma jovem virtual de 19 anos, que reside em Los Angeles, filha de brasileiros e espanhóis.

Lil Miquela, como é conhecida, foi inventada pela startup Brud e já participou como modelo de campanhas para marcas muito famosas como Prada e Diesel. Ela é ativista de causas sociais e seu perfil no Instagram possui 1,5 milhões de seguidores.

Outra influenciadora virtual que ficou bem famosa é a modelo Shudu Gram. Elaborada pelo fotógrafo britânico Cameron-James Wilson, ela se define como “a primeira supermodelo digital do mundo”.

Shudu é sul-africana e ficou conhecida pela sua campanha para a linha de cosméticos da cantora Rihanna, da marca Fenty Beauty. Atualmente ela tem 159 mil seguidores no Instagram e já recebeu propostas para divulgar produtos para outras empresas.

E se você pensa que o Brasil está fora desse mercado, está enganado. Vic Kalli, paulista de 21 anos e fashionista, teve sua conta criada no Instagram em janeiro desse ano e já conquistou quase 22 mil seguidores.

A primeira influenciadora 100% digital brasileira, como apresenta o próprio perfil, já estreou com um ensaio para a revista L’Officiel Brasil.

O fato é que esses personagens atraem seguidores e influenciam pessoas a apreciarem as marcas e quem sabe até a comprar seus produtos.

E para as empresas…

Enquanto isso para as grandes marcas, os influenciadores virtuais trazem uma praticidade eficiente. Por serem personagens fictícios, não apresentam problemas na agenda e nem fazem exigências pessoais mirabolantes.

Como relata Cyan Banister, sócia do Founders Fund, “você pode criar os Kardashians sem qualquer um dos problemas inerentes aos seres humanos”. Banister investiu 100 mil dólares (cerca de 390 mil reais) na primeira rodada de capitalização da startup Brud (que criou a modelo Miquela), em 2017.

Em contrapartida, analisando o lado financeiro, o contrato com um influenciador virtual não é mais barato do que o de um influenciador comum. Nos Estados Unidos, os valores estimados para as campanhas com as personalidades virtuais podem variar entre 5 mil a 100 mil dólares, de acordo com a tecnologia necessária e com o nível de especificidades do programa.

No entanto, o que tem sido questionado atualmente é se o público gosta de interagir com avatars e se é possível estabelecer alguma conexão verdadeira com esses influenciadores.

Influenciadores virtuais se conectam com seus seguidores?

Se tomarmos como exemplo a Lil Miquela, sim. A modelo prova que os influenciadores virtuais têm a capacidade de estabelecer uma ligação com seus seguidores tanto quanto os influenciadores da vida real.

Miquela defende movimentos sociais como Black Lives Matter, que luta pelo fim da violência policial contra os negros norte-americanos e publica frequentemente postagens a favor da comunidade LGBTQ + em seu Instagram.

Esse posicionamento fortalece sua imagem de mulher forte, que tem empatia pelas pessoas e que se importa com problemas relevantes da sociedade. E, por isso, o público passa a respeitar e se identificar com ela.

As pessoas sabem que são personagens fictícios. Essa informação aparece, inclusive, nas biografias dos influenciadores virtuais. Por isso, ninguém é enganado nessa relação.

O que ocorre é que quanto mais humanizado é esse “robô”, mais ele se torna um influenciador verdadeiro aos olhos do público.

No entanto, parte da sociedade ainda não entende muito bem essa relação estabelecida com um personagem. Muitas vezes, as fotos postadas são cheias de filtros e retoques, representando um mundo de fantasia que está longe de ser real. Por isso, os conteúdos publicados tendem a ser artificiais para quem segue esses avatars.

Os influenciadores virtuais se aproximam da perfeição e se afastam das dificuldades do mundo real. Por mais que eles se interessem por problemas sociais, a vida deles não existe, de fato.

Por exemplo, a criação da modelo virtual Shudu Gram, personagem negra e africana que mencionamos no início do texto, gerou muita polêmica. O criador da influenciadora foi questionado sobre tirar o espaço de tantas modelos negras reais e que não conseguem a mesma visibilidade que essa personagem virtual.

Existe, portanto, uma preocupação de que os consumidores não consigam estabelecer uma conexão verdadeira com os influenciadores virtuais da mesma forma que fazem com pessoas reais.

O natural é que o público goste interagir com pessoas, ou até mesmo celebridades, que tenham problemas verdadeiros e que também erram. No dia a dia, ninguém leva uma vida perfeita, por mais que tente aparentar.

Afinal, o influenciador virtual substitui o influenciador de verdade?

Ainda é difícil entender o papel dos influenciadores virtuais no marketing digital. Por enquanto, as modelos virtuais estão presentes em marcas de moda e design, que abusam desse lado visual nos produtos e postagens e, por isso, não causam estranhamento aos olhos do público.

É claro que as pessoas tem curiosidade com esse universo de personagens virtuais. Mas a influência exercida por eles não deixa de ser menor do que a influência gerada por influenciadores de carne e osso.

Para uma campanha de marketing de influência bem-sucedida, é essencial que o público esteja engajado verdadeiramente com os influenciadores, sejam eles reais ou virtuais.